Nos últimos anos, a Euribor tornou-se uma das palavras mais faladas entre famílias portuguesas com crédito habitação. Depois de um período de taxas historicamente baixas, a subida dos juros trouxe um impacto direto nas prestações mensais de milhares de portugueses.
Mas afinal, o que podemos esperar da Euribor em 2026? Será que as prestações vão continuar elevadas? Este é o momento certo para comprar casa? E como podem os proprietários proteger o orçamento familiar?
Neste artigo explicamos de forma simples o cenário atual e o que deve ter em conta nos próximos meses.
O que é a Euribor e porque influencia o crédito habitação?
A Euribor é a taxa de juro utilizada pelos bancos europeus para empréstimos entre si. Em Portugal, esta taxa serve de referência para a maioria dos contratos de crédito habitação com taxa variável.
Na prática, quando a Euribor sobe:
- A prestação mensal aumenta
- O custo total do empréstimo sobe
- A taxa de esforço das famílias fica mais elevada
Quando a Euribor desce:
- As prestações tendem a baixar
- Existe maior margem financeira para as famílias
- O acesso ao crédito pode tornar-se mais favorável
O que aconteceu nos últimos anos?
Após vários anos com juros muito baixos, o Banco Central Europeu aumentou significativamente as taxas diretoras para combater a inflação na Zona Euro.
O resultado foi imediato:
- Subida rápida da Euribor
- Aumento das prestações da casa
- Maior dificuldade no acesso ao financiamento
- Redução da capacidade de compra de muitas famílias
Muitos proprietários viram a sua mensalidade aumentar centenas de euros em pouco tempo.
O que esperar da Euribor em 2026?
Os analistas do setor financeiro acreditam que 2026 poderá trazer maior estabilidade às taxas de juro, embora continue a existir alguma cautela devido à inflação e ao contexto económico europeu.
Os cenários mais prováveis incluem:
1. Estabilização gradual das prestações
Caso a inflação continue controlada, o Banco Central Europeu poderá manter ou até reduzir ligeiramente as taxas de referência.
Isto poderá permitir:
- Prestação mais previsível
- Menor pressão financeira
- Recuperação da confiança no mercado imobiliário
2. Maior procura de taxa fixa
Cada vez mais famílias procuram soluções de crédito com taxa fixa para evitar surpresas futuras.
As vantagens incluem:
- Prestação estável
- Maior segurança financeira
- Planeamento familiar mais simples
No entanto, é importante comparar cuidadosamente as propostas disponíveis no mercado.
3. Regresso gradual da confiança dos compradores
Apesar da subida das taxas, o mercado imobiliário português continua resiliente, especialmente em zonas com elevada procura.
Muitos compradores estão novamente atentos ao mercado devido a:
- Possível estabilização da Euribor
- Ajustes nos preços de alguns imóveis
- Novas oportunidades de negociação
Ainda vale a pena comprar casa?
A resposta depende sempre da situação financeira de cada família.
No entanto, existem fatores importantes a considerar:
Comprar pode continuar a ser vantajoso quando:
- Existe estabilidade profissional
- Há entrada inicial disponível
- A taxa de esforço permanece equilibrada
- O imóvel tem potencial de valorização
Além disso, em várias regiões do país, o mercado de arrendamento continua com valores muito elevados, tornando a compra uma alternativa interessante a médio e longo prazo.
Dicas para quem tem crédito habitação
Se já possui financiamento, existem algumas estratégias importantes para reduzir riscos:
Rever o contrato bancário
Analise spreads, seguros e condições atuais.
Comparar propostas
Muitas famílias conseguem reduzir a prestação através da transferência de crédito.
Criar margem financeira
Ter um fundo de emergência ajuda a enfrentar oscilações futuras.
Avaliar taxa fixa ou mista
Dependendo do perfil financeiro, pode trazer maior estabilidade.
O impacto no mercado imobiliário português
Mesmo com as alterações na Euribor, Portugal continua a ser um mercado atrativo tanto para habitação própria como para investimento.
Fatores como:
- Qualidade de vida
- Segurança
- Procura internacional
- Turismo
- Escassez de oferta em várias zonas
continuam a sustentar o mercado imobiliário nacional.
Na Zona Oeste, por exemplo, existe uma procura crescente por imóveis com melhor qualidade de vida, proximidade ao litoral e valores ainda competitivos comparativamente aos grandes centros urbanos.
Conclusão
A Euribor continuará a ter um papel decisivo no mercado imobiliário português em 2026. No entanto, informação, planeamento e acompanhamento profissional podem fazer toda a diferença na tomada de decisão.
Quer esteja a pensar comprar casa, vender imóvel ou rever o seu crédito habitação, analisar o mercado com estratégia é fundamental para proteger o seu património e aproveitar as melhores oportunidades.
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